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Superando a dificuldade de acreditar

Homilia de 10 de abril de 2021

Nas linhas finais do Evangelho segundo São Marcos, vemos essa ênfase na dificuldade de crer. Isso é particularmente verdadeiro no parágrafo que os exegetas acreditam ser um acréscimo, visto que o Evangelho de São Marcos termina logo após a ressurreição. Esse acréscimo, sem dúvida posterior, expressa a dificuldade de crer para aqueles que, como diz o Evangelho, "estiveram com Cristo" e que se entristeceram e choraram. Quando alguém está imerso na tristeza, é difícil se abrir, abrir os olhos para qualquer outra coisa. Eles se recusaram a crer em Maria Madalena, a primeira pessoa enviada a eles, mesmo ela tendo visto Jesus vivo. Também se recusaram a crer naqueles dois que estavam a caminho do campo. Reconhecemos aqui nossos amigos no caminho de Emaús. Talvez ainda mais radicalmente, os onze à mesa, ao final daquele dia, se recusaram a crer.

O tom é bem diferente do Evangelho de João, que discutimos ontem, onde, como em São Lucas, há uma profunda serenidade na abordagem de Jesus aos seus discípulos. Ele não os repreende, mas os convida a entrar na paz de uma vitória conquistada sobre o mal e a morte. Aqui, o tom é diferente. Embora Jesus não os repreenda pelo passado — a vitória sobre o pecado já foi de fato conquistada —, ele faz um comentário sobre o presente. Ele se espanta e repreende a falta de fé e a dureza de seus corações. Sem dúvida, esses onze precisavam experimentar o que os discípulos no caminho de Emaús haviam experimentado. Seus corações não foram transformados da noite para o dia ou repentinamente. Toda essa jornada, essa releitura das Escrituras com o Senhor, foi necessária para que seus corações se inflamassem. Seus corações precisavam ser tocados pelo Cristo ressuscitado. Isso também se aplica a São Tomé, que tinha muitos motivos para se arrepender de não ter estado lá, de não ter testemunhado a aparição do Senhor Jesus em carne. Sem dúvida, esses onze precisavam de uma transformação em seus corações para vencer a dureza de caráter, uma dureza que por vezes só se agrava com lágrimas, tristeza e sofrimento. Este texto, que conclui o Evangelho de São Marcos, também nos convida a refletir sobre esta obra que a Semana Santa nos propõe: a obra de tocar nossos corações para redescobrir a fé, a serenidade e suavizar sua dureza.

Poderíamos confiar esta oração ao nosso Deus, o cardiologista, apresentando-nos diante Dele com esta doença chamada esclerocardiopatia. Um coração endurecido, fechado. Peçamos ao Senhor que, por meio de Sua ressurreição, Ele venha tocar e curar nossos corações enfermos. Muitas vezes temos certeza disso, muitas vezes o experimentamos. Oremos também pelo coração do mundo, que tanto precisa ser tocado por Cristo Salvador. Tanta dureza, tantas manifestações, tanta intolerância brotam do coração do mundo, de nossos corações. Amém.

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