Annie e Patrick, Vendéia
Agosto 2020
Santos Luís e Zélia: amigos inspiradores e reconfortantes.
Esta é a terceira vez que visitamos o santuário Louis e Zélie em Alençon. Ficamos uma semana e gostaríamos de não ir embora.
Encontramos aqui uma grande paz. Quando chegamos, levávamos tormentos e desânimos... que se dissipavam graças à oração, todas as noites, diante das relíquias dos Santos Luís e Zélia.

Já conhecíamos Santa Teresinha há muito tempo.
Ficamos muito emocionados com a conferência de um ex-presidiário, que contou as graças recebidas ao sair da penitenciária... E como foi libertado da vida louca que levava até então. Foi um testemunho incrível.
Assim que conhecemos os santos Luís e Zélia, sentimos uma proximidade imediata e evidente com eles. Porque eram um casal, porque eram pais…
A memória das dificuldades de Santa Zélia com Léonie encoraja-nos no nosso caminho como pais e avós. Rezar para Zélie e Léonie nos ajuda a seguir em frente. Tudo na vida deles é lindo... Mas esse aspecto nos marca muito.

Outro aspecto marcante é que eram pessoas abastadas que sabiam se adaptar bem a pessoas muito simples. Isto está de acordo com a frase de Jesus no Evangelho a respeito dos pequenos e dos pobres.
Esta semana ouvimos uma anedota sobre Luís que, um dia, se ajoelhou diante de um homem pobre para lhe dar esmola. Disse que assim se ajoelhou diante de Jesus, porque pobre é Jesus... Luís foi um modelo de humanidade, um modelo social.
Ele estava filiado a um Círculo no qual compartilhava seus valores sociais e cristãos. Isto se assemelha ao que podemos vivenciar hoje nas Associações Familiares Católicas ou em outras associações deste tipo: busca de justiça social, fraternidade de oração.
Os Santos Luís e Zélia tinham grande preocupação pelos pobres e ajudavam os mais necessitados. É impressionante esta ligação a Deus que se realiza concretamente, na sociedade e na vida quotidiana.

Marie foi importante para a família Martin, assim como é importante para nós. Marie é… uma argamassa adesiva! Unifica-nos como pessoa, como família, como casal. Ele unifica nossas vidas.
Às vezes lamentamos não ter conhecido Louis e Zélie antes. Dizemos a nós mesmos que teríamos agido de forma diferente, que não teríamos cometido certos erros. Mas nada está perdido. Todas as provações têm significado. O sofrimento pode fazer você crescer e ser transformado.
O grande problema quando somos pais é que somos humanos. Procuramos dar aos nossos filhos o melhor de acordo com as nossas crenças... neste caso, as cristãs. Mas transmitimos isso com meios humanos... E portanto com erros, com a nossa fragilidade e os nossos limites.
Então, essas crianças tornam-se adultos: o caminho até então percorrido juntos passa a ser deles. Nosso papel termina e sua liberdade se desenvolve.
A fé não se transmite com marreta. É uma mensagem que recebemos de Jesus. Uma mensagem à qual respondemos. Pessoalmente e livremente.
Quando recebemos esta mensagem de Jesus, ficamos felizes. A mensagem do Evangelho nos alegra e queremos divulgá-la. É a forma como fazemos isso que atesta a nossa humanidade. Mas temos de aceitar que, no final, teremos inevitavelmente cometido erros.

Admiramos o bom senso que levou os santos Luís e Zélia a enquadrar a sua vida de tal forma que, por mais comuns que sejam, conseguem tornar-se santos. A Igreja, por sua vez, mostra bom senso apresentando-nos-los como modelos.
Não temos a sensação de termos recebido grandes graças, mas de sermos inspirados e consolados. Esta amizade com os Santos Luís e Zélia, e a sua intercessão, conduzem-nos num caminho espiritual.
Louis e Zélie nos levam à Sagrada Família. Através deles, é com Jesus, Maria e José que aprendemos a conviver, que descobrimos. Há uma ligação inexplicável, uma atmosfera que emana da família Martin, e que “cheira o perfume da Sagrada Família”.
Acredito que devem ter meditado sobre a felicidade de ser uma família com Maria e José. E isso não pode levar a lugar nenhum, a não ser ao amor. Ouvi dizer que Santa Teresinha recebeu “a vocação do amor”, e penso que isso já lhe foi dado pelo amor dos seus pais.
Através deles, José e Maria tornam-se concretos. São santos tão excepcionais e simples... Suas cinco filhas que se tornaram freiras, sua vida familiar abalada pela morte de crianças... Quando contemplamos suas vidas humanas, dizemos a nós mesmos: "Estamos vivendo isso... Mas eles sofreram até mais". Isto não consola, mas apoia. Isso fortalece.
Luís e Zélia mostram-nos que cada um, no seu caminho único, pode alcançar a santidade. Sem querer ser outra pessoa além de você mesmo.
Deus se junta a nós em nossa própria história. »
